top of page
Buscar

Medicamentos na Saúde Mental: Risco ou Benefício?

  • Foto do escritor: Gabriel Vieira
    Gabriel Vieira
  • 4 de jun.
  • 3 min de leitura

Você já se pegou encarando este dilema: “Será que preciso de um remédio para me acalmar? Mas e se eu ficar dependente e nunca mais conseguir parar?” Se você está se sentindo perdido ou com medo diante da possibilidade de iniciar um tratamento medicamentoso, este post é para você.

Para entender como eles funcionam, o primeiro passo é saber que existem diferentes classes de medicamentos para a saúde mental. Vamos conhecer as mais comuns:


1. Antidepressivos

  • Nomes comuns: Citalopram, escitalopram, venlafaxina, desvenlafaxina, paroxetina, entre outros.

  • Como atuam: A grosso modo, eles ajudam a regular a comunicação química no cérebro (os neurotransmissores), promovendo o alívio dos sintomas de ansiedade e depressão.

  • O que você precisa saber: Eles não têm efeito imediato. O corpo leva cerca de duas semanas para se adaptar à medicação e começar a apresentar os efeitos desejados. Além disso, não há risco de dependência química com antidepressivos, embora possa existir um apego emocional devido ao alívio que eles proporcionam.


2. Ansiolíticos (os "Tarja Preta" ou Benzodiazepínicos)

  • Nomes comuns: Diazepam, clonazepam, alprazolam (Rivotril, Frontal, etc.).

  • Como atuam: Eles agem diminuindo a atividade do sistema nervoso central, gerando um efeito quase imediato de calma e sonolência. São muito úteis para conter crises agudas de ansiedade, pânico ou episódios severos de insônia.

  • O que você precisa saber: Por terem efeito rápido e direto, esses medicamentos podem gerar dependência química e tolerância (quando o corpo precisa de doses cada vez maiores para atingir os efeitos desejados) se usados de forma frequente e prolongada. Por isso, o uso deve ser estritamente temporário e com acompanhamento médico bem próximo.


3. Estabilizadores de Humor

  • Nomes comuns: Lítio, quetiapina, ácido valproico, entre outros.

  • Como atuam: Como o nome diz, eles ajudam a equilibrar o humor, impedindo que as emoções oscilem excessivamente entre dois polos:

    • O polo distímico/depressivo: Onde o estado emocional fica rebaixado, gerando desânimo, falta de energia, lentidão e perda de prazer.

    • O polo hipertímico/maníaco: Onde há um excesso de energia, euforia, agitação, menor necessidade de sono e comportamentos impulsivos.

  • O que você precisa saber: O objetivo aqui não é "anular" as emoções, mas sim trazer a pessoa para perto do centro, alcançando o que chamamos na psicologia de afeto regulado.


4. Outros Psicoativos (Estimulantes e Antipsicóticos)

  • Nomes comuns: Metilfenidato (Ritalina), risperidona, etc.

  • Como atuam: São medicamentos muito utilizados no suporte a neurodivergências, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Eles atuam regulando o foco, a atenção, a impulsividade e o controle da irritabilidade.


Mas afinal, por que tomar o remédio?

As substâncias que esses medicamentos carregam já existem naturalmente no nosso cérebro. No entanto, quando apresentamos um transtorno mental, a quantidade disponível dessas substâncias ou a forma como elas se comunicam pode estar alterada. O fármaco entra justamente para ajudar a reorganizar essa comunicação.


Lembre-se: O remédio trata os sintomas e ajuda a regular a química cerebral, mas ele sozinho não cura a causa do seu adoecimento mental.

O que vai tratar a raiz do problema, ajudando você a ressignificar seus traumas e mudar padrões de comportamento, é a psicoterapia. Na grande maioria dos casos, o tratamento medicamentoso é transitório: o objetivo é que você usufrua dos benefícios dele para recuperar a estabilidade enquanto fortalece sua mente na terapia para, no momento certo e com segurança, caminhar sem o suporte da medicação.


Nota: Este texto tem caráter exclusivamente educativo. Nenhum Psicólogo pode prescrever medicamento e toda e qualquer medicação psiquiátrica deve ser prescrita, avaliada e acompanhada de perto por um médico psiquiatra. Nunca se automedique ou interrompa um tratamento por conta própria.

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page